Instituto Ana de Educação

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Arquitetura e identidade territorial

Identidade visual de Xangri-Lá através dos cobogós

Por Ana Carina | ANA Instituto de Educação

Visualização de painel com dez cobogós em jardim litorâneo, inspirado na proposta de identidade de Xangri-Lá.
Visualização conceitual gerada por IA, inspirada no projeto. A prancha original documenta os desenhos dos módulos.

Como representar uma cidade em uma forma? Essa pergunta está na origem de uma proposta que reúne arquitetura, cultura e educação: criar uma identidade visual para Xangri-Lá a partir de módulos geométricos inspirados nos cobogós, com desenhos associados aos bairros contemplados pelo projeto.

A ideia é aproximar os moradores de suas referências locais e transformar essa linguagem em uma presença cotidiana. Um painel em uma praça, um totem de bairro ou um objeto levado para casa podem carregar o mesmo significado: reconhecer o lugar ao qual pertencemos.

Estudo com dez módulos geométricos vazados da proposta de identidade territorial de Xangri-Lá.
Estudo dos dez módulos do projeto de Ana Carina. Proposta conceitual.

Por que construir uma identidade territorial

Xangri-Lá reúne referências que fazem parte da experiência de quem vive ou visita o litoral: o mar, as lagoas, a vegetação, a arquitetura, os condomínios, os eventos e as histórias de suas comunidades. Minha proposta parte dessas referências para pensar como elas podem ser articuladas em uma linguagem comum.

Identidade territorial envolve a relação entre um lugar e as pessoas que o reconhecem como parte de suas vidas. Ela pode aparecer nas paisagens, nas práticas culturais e também nos elementos que escolhemos construir. Quando um morador encontra seu bairro representado em um espaço público, surge uma oportunidade de conversar sobre sua história e sua participação na cidade.

O olhar sobre Brasília que inspirou o projeto

Durante uma visita a Brasília, observei como a relação entre arquitetura, arte e geometria participa da leitura da cidade. Os elementos vazados, os painéis e os padrões presentes nos espaços arquitetônicos despertaram uma reflexão sobre Xangri-Lá.

O que me interessou nessa experiência foi a possibilidade de desenvolver uma linguagem vinculada ao nosso território. A inspiração abriu uma pergunta de projeto: quais formas poderiam representar nossas comunidades e, reunidas, expressar uma identidade compartilhada?

Um cobogó para cada bairro contemplado

Cobogós são elementos vazados que permitem compor superfícies com aberturas e padrões. Nesta proposta, sua linguagem geométrica é o ponto de partida para desenvolver uma família de dez módulos, cada um associado a um bairro contemplado no estudo.

O documento conceitual reúne Guará, Atlântida, Centro, Figueirinha, Remanso, Marina, Maristela, Arpoador, Noiva do Mar e Rainha do Mar. Esses são os bairros contemplados nesta etapa do estudo.

Cada desenho mantém sua individualidade. Em conjunto, os módulos permitem criar painéis que representam a integração entre os bairros. A regra central é preservar os desenhos originais e explorar suas possibilidades de composição.

Como os cobogós podem ocupar os espaços públicos

Praça pública litorânea ilustrativa com painel vazado, paisagismo, bancos e pessoas em circulação.
Imagem ilustrativa gerada por IA para apresentar uma possibilidade de espaço público com identidade visual.

As aplicações previstas incluem totens de identificação dos bairros, painéis institucionais, mobiliário urbano e intervenções em praças. Uma composição reunindo os módulos poderá ser estudada para espaços como a Prefeitura Municipal e a Câmara de Vereadores.

Entre as possibilidades conceituais está a remodelação do espaço do chafariz de Atlântida, na região da Central. O estudo imagina materiais e texturas relacionados à areia da praia, com os módulos dos bairros presentes no entorno. O objetivo é criar um espaço de convivência que também comunique pertencimento.

Essas aplicações são propostas para desenvolvimento. Sua implantação dependerá de avaliação institucional, projetos técnicos e definição das condições de execução.

Geometria e educação em um brinquedo urbano

Crianças interagem com módulos vazados e giratórios em uma instalação educativa ao ar livre.
Imagem ilustrativa gerada por IA para representar a dimensão educativa e interativa da proposta.

O projeto também prevê um dispositivo didático com módulos que possam ser movimentados e girados em quatro posições. A criança poderá experimentar arranjos, comparar resultados e criar seu próprio painel.

A experiência abre espaço para trabalhar rotação, simetria, repetição, composição e raciocínio espacial. Uma atividade pode começar com uma pergunta simples: o que muda no desenho quando giramos uma peça? Outra pode convidar os alunos a reconhecer padrões e investigar quantas composições diferentes conseguem produzir.

O número de combinações dependerá das regras finais, da quantidade de peças e das simetrias de cada desenho. Essa investigação pode fazer parte da aprendizagem, aproximando matemática, artes e história local.

Da praça aos objetos do cotidiano

A linguagem proposta poderá aparecer em xícaras, camisetas, chaveiros, bolsas, materiais escolares e lembranças da cidade. Os mesmos módulos que identificam um bairro em um painel poderão acompanhar moradores e visitantes em objetos de uso diário.

Eventos também são possibilidades de aplicação. O projeto menciona, por exemplo, o uso dos padrões em aventais e materiais relacionados ao Paleta Atlântida. Trata-se de uma possibilidade conceitual, que poderá ser discutida com os responsáveis pelas iniciativas.

Uma contribuição para Xangri-Lá

Como arquiteta, educadora e cidadã, desejo contribuir para que o crescimento da cidade seja acompanhado pela valorização de suas referências. Por isso, a proposta prevê a doação integral do projeto conceitual ao Município de Xangri-Lá, mediante formalização e os encaminhamentos técnicos necessários.

A intenção é que essa linguagem possa ser reconhecida pelos moradores, explorada nas escolas e vivenciada nos espaços públicos. Uma forma pode representar um bairro; a composição dessas formas pode abrir novas maneiras de reconhecer nossa cidade.

Leia também: Formação de vereadores e identidade cultural dos municípios

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Perguntas frequentes

O que é a proposta de identidade visual de Xangri-Lá?

É um projeto conceitual de Ana Carina que reúne módulos inspirados nos cobogós e associados aos bairros contemplados, com possibilidades de aplicação em espaços públicos, atividades educativas e produtos locais.

O projeto dos cobogós já foi executado em Xangri-Lá?

O material apresenta uma proposta conceitual. A execução depende dos encaminhamentos institucionais e dos projetos técnicos necessários.

Como os cobogós podem ser usados na educação?

Peças manipuláveis permitem explorar rotação, simetria, padrões e composição, além de abrir conversas sobre os bairros e o pertencimento à cidade.

Leituras complementares

Formação de vereadores e identidade cultural dos municípios

História dos cobogós e seu uso no design de interiores