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Designer de Interiores

História dos cobogós e seu uso no design de interiores

Por Ana Carina | ANA Instituto de Educação

Ambiente ilustrativo com divisória de cobogós de terracota, poltrona de madeira e sombras projetadas pela luz natural.
Interior contemporâneo ilustrativo gerado por IA. A cena não representa uma obra histórica específica.

Os cobogós fazem parte da história da arquitetura brasileira e continuam oferecendo possibilidades para o design de interiores. Com seus vazios e padrões, ajudam a pensar a separação entre ambientes, a passagem de luz e a relação entre o espaço interno e o externo.

Conhecer a história dos cobogós permite olhar para essas peças além de seu desenho. Cada painel envolve decisões sobre uso, proporção e experiência: o que queremos revelar, como desejamos dividir o espaço e que efeito a luz poderá produzir ao atravessá-lo?

O que é um cobogó

O cobogó é um elemento modular vazado usado na composição de painéis. Suas aberturas permitem a passagem de ar e luz, enquanto a repetição das peças cria um desenho no espaço. A privacidade depende da forma dos vazios, da posição do painel e do ângulo de observação.

No vocabulário do projeto, é útil observar a diferença entre uma superfície fechada e uma divisória permeável. Um painel vazado pode delimitar uma área sem interromper completamente a relação visual com o ambiente ao lado.

Como surgiu o cobogó e de onde veio seu nome

Mesa de criação de época com estudos de elemento vazado, ferramentas de desenho e cadeiras vazias.
Ilustração editorial gerada por IA para contextualizar o período da criação do cobogó. Não retrata os criadores.

Segundo o Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, o cobogó foi patenteado em Recife, em 1929, por Amadeu Oliveira Coimbra, Ernest August Boeckmann e Antônio de Góis. O nome reúne as primeiras sílabas de seus sobrenomes: Co, Bo e Gó.

O museu relaciona essa criação às treliças e aos muxarabis, fechamentos vazados de madeira associados à tradição arquitetônica árabe. Registra também que as peças eram inicialmente feitas em cimento e passaram a ser produzidas em outros materiais com sua popularização. [1]

Os cobogós na arquitetura moderna brasileira

Fachada modernista ilustrativa com painéis vazados de concreto e sombras de vegetação.
Imagem ilustrativa gerada por IA sobre a presença dos elementos vazados na arquitetura moderna brasileira.

A Caixa d’Água de Olinda, projetada por Luiz Nunes em 1934, está entre as primeiras obras destacadas pelo MAM Rio pelo emprego do cobogó. No próprio museu, o elemento participa da fachada do Bloco Escola, relacionando o edifício aos espaços externos. [1]

Esses exemplos mostram como uma peça repetida pode participar da expressão de uma construção. A leitura do painel muda com a distância: de perto, percebemos a forma do módulo; de longe, enxergamos o padrão formado pelo conjunto.

Athos Bulcão e a composição entre cheios e vazios

Ao estudar a integração entre arte e arquitetura em Brasília, vale observar a treliça de Athos Bulcão no Palácio Itamaraty. A Fundação Athos Bulcão identifica a obra como uma treliça de madeira e ferro pintado, de 1967. Ela é uma referência para estudar ritmo, cor e a relação entre cheios e vazios, preservando a distinção entre essa obra e um painel de blocos de cobogó. [2]

Para quem aprende design de interiores, essa observação abre um exercício: como uma composição altera a percepção de um espaço? O desenho pode conduzir o olhar, criar pontos de interesse e estabelecer relações com a arquitetura que o recebe.

Como pensar o cobogó no design de interiores

Em um estudo de interiores, o painel vazado pode ser considerado para marcar um hall, separar parcialmente uma área de estar ou criar uma transição para uma varanda. A decisão deve partir da necessidade do ambiente e das condições do lugar.

Em um hall, por exemplo, o objetivo pode ser reduzir a visão direta da entrada para a sala. Nesse caso, convém testar o desenho a partir dos percursos reais de quem entra e circula. Um módulo aberto demais poderá produzir um resultado diferente do desejado.

Quando a intenção é permitir a passagem de luz, o painel precisa ser estudado em relação à fonte luminosa. Já a circulação de ar depende também das demais aberturas e do percurso possível pelo ambiente. A escolha da peça, sozinha, não determina o desempenho do conjunto.

Forma e material precisam ser escolhidos juntos

Antes de especificar um painel, o designer deve observar as dimensões das peças, o acabamento, a facilidade de limpeza e a compatibilidade do material com o local. Também é necessário verificar as orientações do fabricante e os requisitos de montagem, apoio e fixação.

A composição merece o mesmo cuidado. Repetir um módulo, alternar posições ou trabalhar com rotações pode produzir desenhos diferentes. Uma simulação ajuda a avaliar a proporção do painel em relação ao mobiliário e às áreas de circulação.

Um exercício para quem estuda design de interiores

Escolha um módulo e desenhe quatro composições usando a mesma quantidade de peças. Na primeira, mantenha todas na mesma posição. Nas outras, experimente rotações e sequências. Depois, compare o ritmo dos padrões e a distribuição dos vazios.

Em seguida, imagine cada composição em um ambiente concreto. Pergunte qual delas atende melhor ao uso pretendido e como se relaciona com a luz, as cores e os materiais próximos. Esse exercício aproxima geometria e decisão de projeto.

Uma linguagem histórica que inspira novas propostas

No projeto de identidade territorial de Xangri-Lá, a linguagem dos cobogós foi tomada como inspiração para desenvolver módulos associados aos bairros contemplados. O estudo explora composição e rotação como possibilidades culturais e educativas.

Essa aplicação mostra como estudar um elemento construtivo pode gerar perguntas sobre arquitetura, design e pertencimento. No Instituto Ana, conhecer sua história é também um convite para desenhar com mais intenção e compreender o que cada escolha pode acrescentar à experiência de um espaço.

Dez módulos vazados do estudo contemporâneo de identidade territorial de Xangri-Lá.
Aplicação contemporânea em estudo: módulos do projeto de Ana Carina para Xangri-Lá. A imagem não representa peças históricas.

Leia sobre a proposta de identidade visual de Xangri-Lá

Conheça o Instituto Ana e a formação em Designer de Interiores

Referências

[1] MAM Rio — Cobogós do MAM

[2] Fundação Athos Bulcão — Galeria de obras, treliça do Palácio Itamaraty

Perguntas frequentes

Onde surgiu o cobogó?

Segundo o MAM Rio, o cobogó foi patenteado em Recife em 1929. Seu nome reúne as sílabas iniciais dos sobrenomes Coimbra, Boeckmann e Góis.

Para que serve o cobogó no design de interiores?

O painel vazado pode delimitar espaços e permitir a passagem de luz e ar. Seu resultado depende do desenho, da posição e das condições do ambiente.

Cobogó garante privacidade completa?

Não. A visibilidade depende da abertura do módulo, dos ângulos de observação e da iluminação. Por isso, o painel deve ser avaliado a partir do uso e dos percursos do ambiente.

Leituras complementares

Identidade visual de Xangri-Lá através dos cobogós

Formação de vereadores e identidade cultural dos municípios